quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ADORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO. Gn 4.1-7

Os cultos oferecidos pelos crentes no A.T. podem ser classificados em: individual, familiar e congregacional ou coletivo. Até a saída do Egito e a constituição da nação de Israel, predominou o culto individual, marcado por encontro ou revelações especiais de Deus a uma pessoa, culminando com a edificação de pequenos altares (Gn 8.20; 12.7-8; 13.18; 26.25; 28.18-22; 33.20; 35.7, 14-15; Êx 3.2-5). Não era uma adoração formal ou ritualística. A adoração era espontânea, resultado de uma manifestação divina. O encontro de Deus com o adorador era, na sua maioria, por iniciativa de Deus e marcado por muita reverência e temor.
1. O CULTO QUE AGRADA A DEUS (Gn 4.1-7). O primeiro culto oferecido a Deus registrado no A.T. foi realizado pelos irmãos Caim e Abel. Quatro princípios apreenderam neste texto:
(1) O objetivo do culto é agradar a Deus. E sem fé é impossível agradá-Lo (Hb 11.6). O culto oferecido por Abel foi por meio da fé (Hb 11.4).
(2) O culto que agrada a Deus é uma expressão da vida de quem oferece. Deus agradou-se de Abel e de sua oferta e desagradou-se de Caim e de sua oferta (confira 1 Jo 3.12; Hb 11.4).
(3) Devemos oferecer o melhor para Deus. Abel ofertou das primícias do seu rebanho (Confira Dt 26.1-11). Este é o princípio da excelência, isto, é devemos dá o excelente para Deus
(4) Deus recompensa os adoradores. Deus diz para Caim que ele seria aceito caso procedesse bem. Ser aceito por Deus é a maior bênção que uma pessoa pode receber (Lv 22.29; Is 56.7).
2. O CÂNTICO DE MOISÉS (Êx 15.1-21). Moisés e todos os filhos de Israel celebraram coletivamente a saída do Egito, efetivada pelo triunfo sobre Faraó e o seu exército. Aquela celebração é considerada um ato espontâneo de adoração. Eles não estavam cumprindo uma ordem de Deus ou seguindo um ritual. A salvação ou a libertação concedida por Deus gerou adoração (Sl 40.1-3). A passagem pode ser dividida em duas partes: 15.1-18, o cântico de Moisés e dos filhos de Israel; 15.19-21, o cântico entoado por Miriã e todas as mulheres.
Este trecho narra o primeiro ato de culto a Deus, prestado pelo Seu povo após a saída do Egito. Ele contém alguns princípios importantes acerca da adoração.
(1) Quem são os participantes deste culto? Moisés e os filhos de Israel, isto é, participam do culto todos aqueles que saíram do Egito, e passaram a pé enxutos pelo mar vermelho. São os redimidos do Senhor. (Êx 15.1). Adorar a Deus é um privilégio exclusivo dos seus filhos.
(2) Quem é o objeto do culto? Deus, o SENHOR é o receptor e o assunto deste ato de adoração. Cantarei ao SENHOR ... (v.2) Os vinte e um versos que compõem esta canção são todos sobre o que Deus é e fez. Eles cantam a Deus e sobre Deus. Esta é a principal característica do culto verdadeiro. Deus é o tema e o objeto do nosso culto.
(3) Qual é a razão ou intenção deste culto? Naquela ocasião de conquista, quando Faraó foi derrotado com todo o seu exército, a pessoa de Deus estava sendo exaltada. Deus é a razão de qualquer ato de adoração. A intenção do adorador deve ser a exaltação do nome do SENHOR!
a. Deus é superior a Faraó e ao poderoso exército do Egito - 15.2-10
b.- Deus é incomparável em Glória, Santidade e Poder – 15.11-12
c.- Deus conduzirá o seu povo para um lugar especial – 15.13-17
d.- Deus é o Rei Eterno – 15.18-19
Os dois últimos versículos narram o cântico de Miriam: (vv. 20,21). Primeiro, Miriã é identificada com uma profetisa (Jz 4.4). Na época de Davi, os músicos profetizavam por meio da música: Quanto à família de Jedutum, os filhos: Gedalias, Zeri, Jesaías, Hasabias e Matitias, seis, sob a direção de Jedutum, seu pai, que profetizava com harpas, em ações de graças e louvores ao SENHOR. (1Cr 25.3). Segundo, o cântico de Miriã reproduz uma prática da época. As mulheres normalmente cantavam e dançavam por ocasião de vitórias militares (1 Sm 18:6; 21:11; 29:5; Jz 11:34). No período da restauração de Israel, época de Esdras e Neemias, as mulheres foram incluídas como cantoras do templo (Ed 2.65; Ne 7.67).
3. A ADORAÇÃO NOS DEZ MANDAMENTOS. Três meses após a saída do Egito, Deus faz uma aliança com Israel: (Êx 19.5-8). Israel torna-se um reino de sacerdotes e uma nação santa (1Pe 2.9-10; Ap 1.6; 5.10; 20.6). E uma das ocupações principais do povo de Deus é a adoração. Os primeiros princípios para a adoração a Deus aparecem na lei moral. Em Êx. 20.1-17 temos os “Dez Mandamentos”. Os quatro primeiros mandamentos referem-se ao relacionamento do homem com Deus. Destacaremos os dois primeiros mandamentos. Êx. 20.1-6.
Dois princípios para o culto são estabelecidos: (1) Não terás outros deuses diante de mim. A Quem devemos adorar? Adoremos a Deus! O Deus da Bíblia é o único Deus e Ele abomina o culto a outro deus (Is 48.11). A expressão “diante de mim” significa literalmente “perante a minha face” ou “na minha presença”. Deus é zeloso e reivindica adoração exclusiva. (2) Não farás para ti imagem de escultura. Como devemos adorar?
Não devemos adorar a Deus pela nossa imaginação, mas de acordo com a Sua revelação escrita – a Bíblia. Qualquer imagem é uma projeção da mente humana e uma deturpação da verdadeira identidade de Deus
J.MacArthur Jr., pelo menos quatro categorias inaceitáveis de culto:
• Cultuar falsos deuses: a humanidade pecadora rejeita o Deus verdadeiro e se volta de forma irresistível ao culto falso. (Rm 1.21, 23).
• Cultuar de forma errada o Deus verdadeiro: Os teólogos de Westminster declaram que "o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e é tão limitado pela sua própria vontade revelada, que ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras" (Dt 12.32 ; Mt 15.9 ; At 17.24,25 ; Ex 20. 4,5 ; Cl 2.20-23 ).
• Cultuar a nossa própria maneira o Deus Verdadeiro: Cultuar a Deus a nossa maneira constitui-se uma abominação. Em se tratando de culto, tudo o que as Escrituras não ordenam expressamente é proibido (Dt 4.2; 12.32 ). Há muita coisa sendo introduzida ao culto hoje, que Deus não estabelece em Sua Palavra. É tradição humana (Mt 15.3). A base do culto é a Bíblia.
• Cultuar com atitude errada: O culto verdadeiro requer o envolvimento total do adorador Devemos oferecer o melhor para Deus. Não podemos tratar o culto com irreverência, desrespeito e desprezo. Deus odeia e abomina o culto que é prestado com atitudes erradas. Leia com atenção: Am 5.21-24; Os 6.4-6 ; Is 1.11-15

CONCLUSÃO. Durante o período do Antigo Testamento, diferentes tipos de cultos foram oferecidos: individual, familiar e coletivo. Sempre que ocorria um encontro entre Deus e um dos seus filhos, aquele momento transformava-se num momento de adoração.
É importante destacar que em todos os encontros, prevaleceu a soberania e a majestade de Deus. Ele é objeto e o sentido do culto. Sem a Sua presença não existe culto. Todo culto verdadeiro é teocêntrico.

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